"Quereis ser médico, meu filho? Esta é a aspiração de uma alma generosa, de um espírito ávido de ciência.
Tens pensado bem no que há de ser a tua vida?"

- Esculápio -

domingo, 11 de outubro de 2009

Lei de Murphy: o lema do pessimismo faz 60 anos

A fila do lado sempre anda mais rápido. A torrada só cai no chão com a manteiga virada para baixo. As pessoas só encontram algo no último lugar em que procuram. Essas são algumas variações de um dos lemas mais populares do século 20, a lei de Murphy. O preceito, que pode ser resumido pela frase "se algo pode dar errado, vai dar errado", foi enunciado pela primeira vez há 60 anos. Seu autor é o engenheiro Edward Murphy Jr. (1918-1990).
Em 1949, Murphy fazia parte de um Projeto da Força Aérea dos Estados Unidos que tentava determinar a tolerância do corpo à força da gravidade. Para isso, pilotos voluntários eram amarrados a carros sobre trilhos e lançados a velocidades altíssimas. Murphy criou sensores eletrônicos a fim de medir a força aplicada ao organismo. Contudo, depois do primeiro teste, o equipamento não funcionou, e o engenheiro criticou o funcionário encarregado de instalá-lo: "Se há dois jeitos de fazer algo, e um deles resulta em desastre, este rapaz vai fazer do jeito desastroso". Um dos presentes, o coronel John Stapp, gostou do comentário e o espalhou. Em 1952, a frase já era citada em um livro da psicóloga Anne Roe (1904-1991). Em 1962, foi empregada num filme de treinamento do Exército americano. Mas, a essas alturas, ninguém mais sabia quem era o tal Murphy.
Em 1977, o preceito ganhou notoriedade quando o escritor americano Arthur Bloch lançou o livro A Lei de Murphy. Foi publicado em 30 países, mas Bloch não dava o crédito ao engenheiro. Edward Murphy ficou longe dos holofotes até morrer, em 1990. Anos depois, o jornalista Nick Spark descobriu sua história. Em 2003, a lei ganhou o prêmio igNobel — uma paródia do prêmio Nobel, concedido pela Universidade de Harvard para "ideias que nos fazem sorrir, e depois nos põem a pensar".

Um comentário:

Anônimo disse...

60 anos e parece ainda uma mocinha, super atual. A lei merecia um Nobel (e não um igNobel) e um estudo mais aprofundado sobre seu embasamento teórico.

LuCa