"Quereis ser médico, meu filho? Esta é a aspiração de uma alma generosa, de um espírito ávido de ciência.
Tens pensado bem no que há de ser a tua vida?"

- Esculápio -

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Anvisa publica as novas regras para a venda de antibióticos no país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta quinta-feira, no Diário Oficial da União, as novas regras para a compra de medicamentos antibióticos em farmácias. De acordo com a resolução da Anvisa, os antibióticos deverão ser vendidos sob prescrição  médica. O paciente deverá ficar com uma via da receita de controle especial, carimbada pela farmácia, como comprovante do atendimento. A outra via ficará retida no estabelecimento farmacêutico. As farmácias deverão começar a reter a receita a partir de 28 de novembro. A prescrição médica para antibióticos terá dez dias de validade. Ela deve estar em letra legível e sem rasuras, e precisam informar o nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade e posologia; nome completo do paciente; nome do médico, registro profissional, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo); identificação de quem comprou o remédio, com nome, RG, endereço e telefone; data de emissão.
Na embalagem e no rótulo  dos medicamentos contendo substâncias antimicrobianas deve constar, obrigatoriamente, na tarja vermelha, em destaque a expressão: "Venda sob prescrição médica - Só pode ser vendido com retenção da receita". A mesma frase deve constar com destaque na bula dos medicamentos. A resolução traz ainda a lista dos antibióticos registrados na Anvisa. Veja íntegra da resolução neste link. O telefone da Anvisa para fazer denúncias de estabelecimentos que não estejam cumprindo a lei é o 0800-642-9782. Denúncias podem ser feitas também através do site da Anvisa.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Anvisa anuncia reforço em medidas de combate à 'superbactéria'

O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Dirceu Barbano, anunciou na última sexta-feira medidas para evitar o aumento número de infecções pela superbactéria KPC, resistente a antibióticos e que pode levar à morte. A instalação de dispensadores de álcool em gel em todos os ambientes de atendimento nos hospitais e clínicas públicas e particulares estão entre as medidas anunciadas. Barbano disse ainda que as farmácias devem passar a reter as receitas médicas para a venda de antibióticos, para comprovar que a exigência da Anvisa será cumprida. Segundo o diretor, as normas devem ser divulgadas no início da próxima semana, mas há um período de adaptação de pelo menos 60 dias para a obrigatoriedade do álcool gel e de 30 dias para a retenção de receitas nas farmácias.
Técnicos da Anvisa estão reunidos desde quinta-feira para trabalhar em uma nota técnica, sobre prevenção a infecções hospitalares, e duas resoluções, a respeito das formas de prevenção a infecções nos ambientes hospitalares e da compra de antibióticos em farmácias, afirmou Barbano. A norma já existe desde 1998, mas por essa situação de desconforto a respeito dessas informações, esperamos que se aprimore o trabalho. Os municípios precisam de fato agir na cobrança da responsabilidade das unidades de saúde no cumprimento dessa norma. Segundo o diretor, os dados notificados à Anvisa pelas secretarias de saúde nos estados e no Distrito Federal mostram que a situação no DF é a mais preocupante no país. No DF foram notificados 157 casos entre julho de 2009 e 15 de outubro de 2010.
São Paulo registrou 70 casos na Anvisa entre julho de 2009 e outubro de 2010, dos quais 24 resultaram em morte. Em outros quatro estados, os dados são referentes apenas ao período de julho de 2009 a julho de 2010: 3 no Espírito Santo, 4 em Goiás, 12 em Minas Gerais e 3 em Santa Catarina. "Certamente, em muitos desses casos a pessoa já se tratou e voltou para casa", disse Barbano. De acordo com a Anvisa, os números podem ser maiores, já que nem todos os casos registrados pelas secretarias estaduais de saúde foram notificados à agência. Segundo ele, os dados das próprias secretarias só são notificados à agência quinzenalmente, e as reuniões do setor técnico trataram também da disponibilização de um software para que as notificações sejam feitas via web, mas não há prazo para sua implementação. Apesar as medidas anunciadas nesta sexta, Barbano afirmou que as infecções pela superbactéria não representam um risco superior à média de outras infecções registradas no Brasil.
"Os casos não representam uma exceção. Estudos apontam que a taxa média de infecções no Brasil é de 14% entre pessoas que são identificadas em um quadro suscetível a infecções hospitalares, e os casos da KPC está dentro dessa média", disse Barbano.
Fonte: G1 Saúde

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

INCA lança recomendações para reduzir mortalidade por câncer de mama no país

O Instituto Nacional de Câncer, INCA, lançou em 15 de outubro, recomendações para reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil. São sete orientações que destacam as prioridades de ação para o controle da doença, responsável por cerca de 11 mil mortes por ano no país. Destinado à população em geral e a profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde, o documento faz parte das comemorações do Outubro Rosa, mês de mobilização mundial em torno do tema. O documento foi lançado pelo diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini, na abertura do seminário Controvérsias no tratamento de câncer de mama no estadiamento inicial, no Rio de Janeiro. “Temos um desafio de comunicação”, afirmou Santini, referindo-se à primeira recomendação: O INCA recomenda que toda mulher tenha amplo acesso à informação com base científica e de fácil compreensão sobre o câncer de mama. “Com os investimentos feitos nos últimos anos pelo Ministério da Saúde, hoje temos condições de fazer recomendações que o gestor de cada instância de governo, a sociedade e cada cidadão individualmente tem capacidade de implementar”, disse o diretor-geral.
Impressas em um folheto que será distribuído à população, as sete recomendações alertam para a necessidade de a mulher ficar atenta aos primeiros sinais e sintomas da doença e buscar avaliação médica; consideram como direito da mulher com nódulo palpável e outras alterações suspeitas na mama receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias; e reforçam a necessidade da realização de mamografia a cada dois anos para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, já que a detecção precoce em mulheres saudáveis nesse período reduz a mortalidade.
A quinta recomendação fala sobre a necessidade de que os serviços de mamografia façam parte de programa de qualidade, com certificação visível para as usuárias. A sexta orientação informa sobre formas de prevenção: controle do peso e do consumo de álcool, além da prática da amamentação e de atividades físicas. Por fim, o último item alerta sobre o aumento do risco der câncer de mama com a adoção de terapias de reposição hormonal no período pós-menopausa, que deve ter rigoroso acompanhamento médico.
A coordenadora de projetos e financiamento em pesquisas do Instituto, Marisa Breitenbach, explicou que as recomendações são resultado do trabalho de um dos grupos multidisciplinares instituídos no INCA, chamados Grupos de Tumores. O Grupo de Tumores em Câncer de Mama se reúne semanalmente desde março de 2009 e elaborou as recomendações a partir de estudos sobre as evidências científicas de ações de detecção precoce para mulheres com sintomas iniciais de câncer de mama (diagnóstico precoce) e para mulheres sem sintomas (rastreamento populacional).
Segundo a Estimativa 2010 – Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo INCA, o país terá 500 mil novos casos de câncer por ano. Desses, 49.240 mil são relativos aos tumores de mama. A Política Nacional de Atenção Oncológica, publicada pelo Ministério da Saúde em 2005, considera o câncer de mama como prioridade. No Pacto pela Saúde, o controle da doença também é prioridade. Uma das metas é o aumento da oferta de mamografia pelo SUS, que aumentou 118% entre 2000 e 2007 – de 1,3 milhão para 2,9 milhões. Outra, é o Sistema de Informação do Câncer de Mama (Sismama) em todo território nacional, implementado em 2009, que permite a avaliação e aprimoramento de todas as ações de controle da doença. 
Fonte: Divisão de Comunicação Social do INCA

Estudo indica que H1N1, o vírus da nova gripe, começa a sofrer mutação


O vírus H1N1, causador da nova gripe, pode estar começando a sofrer mutação, e uma forma um pouco diferente começou a predominar na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura, relataram pesquisadores na quinta-feira (21). São necessários mais estudos para dizer se a nova cepa apresenta um risco maior de matar os pacientes e se a vacina atual é capaz de proteger contra ela, disseram Ian Barr, do Centro Colaborativo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Referência e Pesquisa sobre Influenza em Melbourne, na Austrália, e seus colegas.
"No entanto, isso pode representar o início de uma mudança antigênica mais drástica dos vírus A (H1N1) do influenza que poderá exigir uma atualização da vacina mais cedo do que o esperado", escreveram eles na publicação on-line "Eurosurveillance".
É possível que a nova cepa seja mais letal e ainda capaz de infectar pessoas já vacinadas, segundo os pesquisadores. Os vírus da gripe sofrem mutação constantemente - é por isso que as pessoas precisam de uma nova vacina da gripe a cada ano. Depois de seu surgimento em março de 2009 e da disseminação global, o vírus H1N1 da gripe suína permaneceu bastante estável com praticamente nenhuma mutação.
Cientistas de todo o mundo permanecem atentos a todas as cepas de gripe, alertas para o caso do surgimento de uma mutação especialmente perigosa. Embora o H1N1 não tenha se tornado especialmente letal, ele se espalhou pelo planeta em algumas semanas e matou mais crianças e adultos jovens do que uma cepa comum. A OMS anunciou o fim da pandemia em agosto, mas o H1N1 agora é a principal cepa de gripe sazonal em circulação em quase todos os lugares, com exceção da África do Sul, onde o H3N2 e o influenza B são mais comuns. A atual vacina da gripe protege contra o H1N1, o H3N2 e a cepa B.
"O vírus pouco mudou desde que surgiu em 2009; entretanto, nesse artigo descrevemos diversas mudanças distintas geneticamente no vírus influenza H1N1 pandêmico", escreveu a equipe de Barr no artigo. "Essas variantes foram detectadas pela primeira vez em Cingapura no começo de 2010 e depois se espalharam pela Austrália e Nova Zelândia."
As mudanças ainda não são significativas, afirmam eles. Mas houve casos de pessoas vacinadas que se infectaram, e também algumas mortes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

João Pessoa registra 86 casos suspeitos de sarampo

Dentre os 86 casos suspeitos de sarampo registrados pela Secretaria de Saúde da Paraíba, 30 foram confirmados na capital e outros 8 na região metropolitana, nas cidades de Conde, Bayeux e Santa Rita. As confirmações foram feitas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. Segundo o coordenador de imunização da secretaria, o sanitarista Walter Albuquerque, o Ministério da Saúde enviou à Paraíba 280 mil doses de vacina, das quais 180 mil foram distribuídas para os 223 municípios do Estado e as outras 100 mil estarão à disposição da Secretaria de Saúde de João Pessoa, a partir de hoje. A ideia, segundo ele, é vacinar todas as pessoas na faixa etária de 6 meses a 49 anos. 
"Se o vírus não for contido, ele pode se espalhar por todo Estado e pelo País", disse Albuquerque. Há suspeita de que o vírus B-3, identificado na Paraíba, tenha sido trazido por alguém que esteve na África do Sul, durante a Copa do Mundo de Futebol.
Fonte: Agência Estado

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Inicia grupo de controle do tabagismo na Unidade de Saúde Espinheiros, em Itajaí

O INCA - Instituto Nacional do Câncer - coordena e executa, em âmbito nacional, o Programa de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer visando à prevenção de doenças na população através de ações que estimulem a adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis e que contribuam para a redução da incidência e mortalidade por câncer e doenças tabaco-relacionadas no país. As ações do Programa são desenvolvidas em parceria pelas três instâncias governamentais - federal, estadual e municipal - para capacitar e apoiar os 5.561 municípios brasileiros e abrangem as áreas da educação, legislação e economia.
Na próxima sexta-feira, coordenado pelos professores Alexandre Pereira e Carolina Machado, tem início no bairro Espinheiros o primeiro grupo voltado para o controle do tabagismo feito naquela região, aberto a qualquer interessado em participar do programa. Aos que desejarem, basta manifestar seu interesse junto à unidade de saúde, deixando nome e meio de contato para a entrevista inicial. Após a entrevista, que definirá o perfil do fumante, o mesmo será alocado em um dos grupos do programa. A principal abordagem realizada é a cognitivo-comportamental, não se excluindo a possibilidade de abordagem medicamentosa em casos específicos.

Presidente Lula diz que parou de fumar há 8 meses e aconselha fumantes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, em sua coluna semanal O Presidente Responde, que está há cerca de oito meses sem fumar. Lula falou sobre sua luta contra o cigarro quando citava os programas do Ministério da Saúde de combate ao fumo, e aconselhou os fumantes a seguirem o seu exemplo.
"Eu mesmo parei de fumar há quase oito meses e estou me sentindo muito bem, comendo melhor, respirando melhor, com muito mais fôlego nas corridas e caminhadas. Aconselho todos os fumantes a fazerem o mesmo", disse Lula. "O Brasil é, atualmente, um dos principais atores no combate ao tabagismo no mundo".
Pesquisa feita em 1989 constatou o índice de 33% de fumantes no Brasil. "Em 2008, esse índice tinha caído para 17,2%, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), feito em parceria com o Ministério da Saúde", disse. "Por essa pesquisa detalhada, o IBGE e o Ministério da Saúde foram premiados pela Organização Mundial da Saúde e mais quatro instituições internacionais. Essas organizações incentivaram a realização de pesquisas em 14 países e o Brasil foi o primeiro a finalizar o levantamento", afirmou o presidente.
Lula destacou o aumento de impostos sobre o tabaco, a proibição de publicidade e a inclusão de advertências explícitas nos maços de cigarros como as principais medidas do governo para combater o fumo.

Blog "Expresso de Idéias"

No mundo globalizado e cada vez mais corrido - e concorrido - em que vivemos, é louvável qualquer iniciativa de parar um pouco para reflexões, trocas e meditação sobre quaisquer aspectos que não aqueles estritamente ligados à profissão. Por isso abro espaço e demonstro grande alegria pelo nascimento do blog do Prof. Heitor, Expresso de Idéias, onde ele - conforme suas próprias palavras - falará não apenas sobre medicina e filosofia, mas também cafés, viagens, brinquedinhos, etc.
Não é fácil você chegar em casa, parar, respirar, refletir, e colocar no papel (ou mais modernamente, no monitor) um fluxo de idéias que esteja distante do seu dia-a-dia profissional, porque esse cotidiano parece não se apagar facilmente, na hora em que você quer, ou precisa.
Tomara, e acredito nisso, por bem conhecer a personalidade do autor, que o novo blog traga um grande espaço cultural, dinâmico e agradável para nosso deleite quando estivermos cansados das mazelas e da força opressiva do cotidiano. Mais uma vez, Heitor, parabéns pela iniciativa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Faculdade do RJ confirma expulsão de estudante de medicina que atendeu Joanna no RJ

A faculdade Unigranrio, na Baixada Fluminense, decidiu expulsar o estudante de medicina acusado de de ter liberado a menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, ainda desacordada. A decisão foi tomada na última terça-feira pelo Conselho de Ética da faculdade, formado por três professores e dois acadêmicos, e será ratificada pelo reitor da instituição, Arody Herdy, até sexta-feira, de acordo com a assessoria da Unigranrio. A faculdade considerou gravíssimas as denúncias contra o estudante.
Joanna estava internada em coma desde o dia 19 de julho e morreu no dia 13 de agosto. O falso médico teve a prisão preventiva decretada no dia 10, mas continua foragido. A Unigranrio informou ainda que fez várias tentativas de contato com o estudante de medicina, como cartas, telegramas e convocações anunciadas em jornais. Como até o momento não houve resposta por parte do aluno, segundo a assessoria, sua a expulsão "corre à revelia". Ainda segundo a faculdade, o estudante cursava o quarto período de medicina, mas estava com  a matrícula trancada em 2010. A faculdade informou ainda o falso médico tinha nota média inferior a 2 e era totalmente desqualificado para atuar como estagiário.
A médica Sarita Fernandes Pereira, suspeita de ter contratado o falso médico, foi presa no dia 14 de agosto por policiais da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima. Ao decretar a prisão preventiva do falso médico, o juiz da 3ª Vara Criminal da Capital, Guilherme Schilling Pollo Duarte, afirmou que o estudante de medicina, “valendo-se de documento de identificação do Conselho Federal de Medicina falso e currículo profissional em nome de André Lins Moreira atuava como falso médico junto ao Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, em associação com a ré”.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o estudante ministrou remédios anticonvulsivos à menina Joanna, durante atendimento no Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e lhe deu alta quando ela ainda estava desacordada, o que teria contribuído para a morte da criança.
O Ministério Público denunciou Sarita Fernandes Pereira por homicídio doloso. O falso médico foi denunciado também pelo exercício ilegal da medicina em relação a todas as vítimas não identificadas até o mês de julho de 2010 na emergência do Hospital Rio Mar; por exercício ilegal da medicina com resultado morte em relação à vítima Joanna, estelionato, falsificação de documentos e por tráfico ilícito de entorpecentes.
Fonte: Mylène Neno, do G1 RJ

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mortalidade materna cai 34% em 20 anos

Cerca de 358 mil casos de mortalidade materna foram registrados no mundo em 2008, o que representa uma queda de 34% em relação aos níveis de 1990, mas 99% de todas as mortes seguiram ocorrendo nos países em desenvolvimento. Os números são de um estudo conjunto publicado hoje por três agências da ONU e pelo Banco Mundial, faltando cinco anos para expirar o prazo de 2015 estabelecido para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre os quais está a redução da mortalidade materna em três quartos e conseguir o acesso universal à saúde reprodutiva.
A região subsaariana e a do Sul da Ásia acumularam juntas 87% de todas as mortes maternas globais, com 313 mil óbitos em 2008, no ano analisado no estudo, e 65% de todos os casos ocorreram em apenas 11 países: Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Paquistão, Sudão e Tanzânia. As estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Unicef, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e do Banco Mundial revelam que, em 2008, se registraram 42 mil mortes de gestantes devido ao vírus HIV/aids, das quais a metade decorre de causas consideradas diretamente relacionadas com a gravidez. A OMS define mortalidade materna como "a morte de uma mulher quando está grávida ou nos 42 dias posteriores ao fim da gestação, independentemente da duração e lugar da gravidez, e devido a alguma causa relacionada ou agravada por esta ou por sua gestão, mas não por causas acidentais".
Na África Subsaariana, 9% de todas as mortes maternas foram causadas por aids. Segundo o estudo, estaca que sem estas mortes, a taxa de mortalidade materna nesta região tivesse sido de 580 mortes por cada 100.000 nascimentos em lugar de 640. Por regiões, a mais alta taxa de mortalidade materna foi a citada de 640 em África Subsaariana, seguida do Sul da Ásia, com 280 mortes por cada 100 mil nascimentos, Oceania (230), Sudeste Asiático (160), Norte da África (92), América Latina e o Caribe (85), Ásia Ocidental (68) e Ásia Oriental (41). Quatro países tiveram em 2008 uma taxa extremamente alta de mortalidade materna, com pelo menos 1 mil mortes por cada 100 mil nascimentos: Afeganistão, Chade, Guiné-Bissau e Somália. Nessa lista, o Brasil registrou 58 mortes por cada 100 mil nascimentos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Superbactéria é bomba-relógio e exige resposta global, dizem cientistas

A nova superbactéria originária da Índia e que demonstra ser resistente a quase todos os antibióticos conhecidos representa uma ameaça mundial, advertiram cientistas nesta segunda-feira.
"Temos a necessidade urgente de, em primeiro lugar, estabelecer um sistema de vigilância internacional nos próximos meses e, em segundo lugar, examinar todos os pacientes que derem entrada em qualquer sistema de saúde" em tantos países quanto for possível, disse Patrice Nordmann, do Hospital Bicetre, da França. "Por enquanto não sabemos quão rapidamente o fenômeno está se espalhando. Pode levar meses ou anos, mas o certo é que se espalhará", disse à AFP, destacando que já foram tomadas medidas na França e que outras estão em discussão no Japão, em Cingapura e na China. "É um pouco como uma bomba-relógio", explicou.
Nordmann participa da 50ª Conferência Intercientífica sobre Agentes Antimicrobianos e Quimioterapia (Interscience conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy), que reúne 12 mil especialistas em doenças infecciosas em Boston (Massachusetts). O cientista, que é chefe do departamento de bacteriologia e virologia do hospital francês, disse que a bactéria encontrará terreno fértil na população de 1,3 bilhão de pessoas da Índia. A "superbactéria", chamada NDM-1 (metalo-beta-lactamase 1 de Nova Délhi) e suas variações parecem ter se originado na Índia. Ela foi detectada pela primeira vez em 2007, na Grã-Bretanha. A NDM-1 resiste a quase todos os tipos de antibióticos, inclusive os carbapenemas, geralmente reservados às emergências e ao tratamento de infecções multirresistentes.
Fonte: Globo.com - Ciência e Saúde

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desinfetar mãos com álcool gel foi pouco eficiente contra nova gripe

Lavar as mãos com álcool gel, uma medida preventiva muito popular durante a pandemia de gripe H1N1 em 2009, não aumenta a proteção contra o vírus, afirma estudo divulgado neste domingo em uma conferência médica nos Estados Unidos.
"Um desinfetante de mãos à base de álcool não reduz de forma significativa a frequência das infecções por rinovírus (responsáveis pelo resfriado, entre outros) ou o vírus da gripe", afirmam os autores do trabalho. 
O estudo foi apresentado em Boston, na conferência intercientífica sobre agentes antimicrobianos e quimioterapia (Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy), que reúne em torno de 12.000 especialistas em doenças infecciosas até 15 de setembro. O trabalho foi dirigido por Ronald Turner, da Universidade de Virgínia e financiada pela Dial Corporation, uma empresa de produtos de higiene e cuidado do lar, filial do grupo alemão Henkel.
"Os resultados deste estudo sugerem que a transmissão pelas mãos é talvez menos importante para a propagação do rinovírus do que se acreditava", afirmam os autores.
Os cientistas concluíram que 12 de cada 100 participantes do grupo que lavou regularmente as mãos com álcool gel foram contaminados com o vírus da gripe H1N1, enquanto que no grupo que não usou nenhum desinfetante, 15 de cada 100 contraíram a doença.
Fonte: G1 Saúde

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ministério da Saúde confirma 2º caso de raiva humana em 2010 no Brasil

A Secretaria de Vigilância (SVS) do Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira o segundo caso de raiva humana em 2010, identificado no município de Chaval, no Ceará. O paciente foi atacado por um cão há três meses. O órgão mantinha o caso como suspeito desde 2 de setembro, mas exames laboratoriais indicaram a presença do vírus causador da raiva em humanos. De acordo com as informações do Ministério da Saúde, a Secretaria estadual do Ceará foi instruída a aplicar o Protocolo de Tratamento da Raiva Humana, procedimento que garantiu o terceiro caso no mundo de sobrevivência à doença, em 2008, em paciente da cidade de Floresta, em Pernambuco. O primeiro caso do ano foi registrado em junho, no Rio Grande do Norte, após a morte de um homem após mordida de morcego.
O Ministério da Saúde mantém campanha de vacinação de cães e gatos em todo o Brasil. Segundo o órgão, as ações de vigilância permitiram uma redução acentuada no número de casos de raiva humana a partir de 2005. O ano com o melhor desempenho foi o de 2007, com apenas 1 caso registrado da doença no Brasil. A raiva é uma doença que causa inflamação no encéfalo, levando à morte em quase 100% dos casos de infecção. O vírus pode entrar no corpo humano por meio de lambidas, mordidas e arranhões de animais portadores.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cirurgia para mudança de sexo de mulheres será permitida no Brasil

A cirurgia para mudança de sexo em mulheres, antes permitida somente como experiência, será autorizada no Brasil a partir de decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), a ser publicada no Diário Oficial da União (DOU). A técnica retira mamas, ovários e útero do corpo da mulher. A construção de um pênis no transexual feminino ainda será mantida com caráter experimental, não sendo liberada.
A decisão do CFM, assinada pelo conselheiro relator Edevard José de Araújo, vale para qualquer estabelecimento, público ou privado, capaz de realizar o procedimento. Para isso, é preciso que a transexual ou interessada em mudar de sexo atenda a critérios como grande desconforto com o corpo original. Para ter direito à cirurgia, a pretendente precisa ter mais de 21 anos, diagnóstico médico de transgenitalismo e condições físicas de passar pela operação. Os critérios são definidos por um conselho médico com psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social.
Segundo o texto da decisão, o transexual tem um desvio psicológico que o faz não se conformar com o seu corpo. Essa rejeição pode levar a mutilações e suicídios por parte dos transexuais. Para o CFM, a candidata à cirurgia deve ter o desejo de mudar de sexo a pelo menos dois anos, provado com acompanhamento médico. A resolução faz com que a cirurgia não seja mais considerada crime de mutilação, como previsto pelo artigo 129 da Constituição, já que seria apenas uma correção para atender ao conforto do transexual.

Após tratamento, garoto indonésio de 2 anos para de fumar

Aldi Rizal, o menino indonésio de 2 anos que, segundo sua família, fumava cerca de 40 cigarros por dia conseguiu parar de fumar, após um intenso tratamento médico, informou o centro pediátrico em que ele era tratado nesta quinta-feira. Aldi Rizal chocou o mundo quando um vídeo em que aparecia fumando cigarros foi publicado na internet em maio e chamou a atenção para as falhas do país asiático em regular a indústria do tabaco.
“Ele deixou de fumar e o mais importante é que não pede mais cigarros”, disse o secretário-geral da Comissão Nacional de Proteção à Infância do país, Arist Merkeda Sirait.
Seis meses depois de seu pai lhe dar o primeiro cigarro, o garoto, acima do peso, estava fumando dois maços por dia e reagia com violência quando o vício não era satisfeito. Acompanhado pela mãe, Aldil deixou a pequena vila em que vivia na ilha de Sumatra para se submeter ao tratamento na capital.
“Ele recebeu tratamento psicológico por um mês, tempo no qual os terapeutas o mantinham ocupado em atividades e o encorajavam a brincar com outros garotos da mesma idade”, disse Sirait. “Nós trocamos o passatempo dele de fumar por brincar.”
Em junho, a comissão já havia informado que a terapia havia feito Aldi baixar o consumo de 40 para 15 cigarros diários. O caso do garoto chamou a atenção para os perigos das agressivas campanhas de marketing da indústria do tabaco voltada a mulheres e jovens em países em desenvolvimento como a Indonésia, onde a fiscalização é fraca e muitas pessoas desconhecem os males do cigarro. O consumo de cigarro no arquipélago no sudeste da Ásia atingiu cerca de 47% da população nos anos 1990, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mineiros do Chile terão de ficar sem álcool e cigarros, diz Nasa

Já privados há 26 dias da luz do sol, de ar fresco e do convívio com entes queridos, os 33 trabalhadores presos em uma mina do Chile precisarão continuar abrindo mão de dois outros prazeres, segundo médicos da agência espacial americana (a Nasa): álcool e cigarros. Confrontados com uma espera de dois a quatro meses, até que técnicos escavem uma galeria de 700 metros para retirá-los do fundo da mina, os trabalhadores têm recebido alimentos ricos em proteínas e calorias por meio de estreitos tubos de plástico, para recuperarem os cerca de 10 quilos que cada um deles perdeu nos 17 dias em que ficaram isolados após um acidente na mina. Os mineiros também queriam receber vinho, mas ficaram frustrados.
"Com relação ao álcool, precisamos primeiro acertar sua nutrição antes de fazermos qualquer consideração a respeito", disse James Michael Duncan, médico-chefe-adjunto da Nasa, que viajou para o Chile com uma equipe de especialistas para assessorar o governo local em uma das mais desafiadoras operações de resgate já feitas. Alguns mineiros também estão desesperados por cigarros e os médicos lhes mandaram adesivos e chicletes de nicotina. "É um ambiente bastante fechado, e não queremos aumentar nenhum dos problemas dentro da atmosfera da mina", acrescentou Duncan.
Acostumada a lidar com períodos prolongados de confinamento em missões espaciais, a Nasa também está aconselhando o governo sobre como manter os homens mentalmente sãos nas próximas semanas. O ministro da Saúde, Jaime Manalich, disse que os homens estão notavelmente bem no túnel quente e úmido. Mas a espera ainda será longa. Os técnicos começaram a perfurar a galeria para o resgate na segunda-feira à noite, e no começo da noite de terça-feira haviam escavado 8 metros -- pouco mais de 1 por cento do total.
Na semana passada, os mineiros receberam uma câmera de vídeo e gravaram imagens dramáticas, em que aparecem barbados e sem camisa por causa do calor. Alguns estavam visivelmente mais magros. Os homens estabeleceram áreas para dormir e jogar cartas, e também para guardar itens pessoais, como creme dental e desodorante. Eles também pediram laxantes para ajudar a regular seus sistema digestivos, após inicialmente sobreviverem com duas garfadas de atum enlatado e meio copo de leite a cada 48 horas, até que os mantimentos que estavam na mina se esgotassem.
Fonte: G1 Saúde

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O iPhone vira estetoscópio

O estetoscópio poderá começar a desaparecer dos hospitais em todo o mundo com a chegada de uma nova aplicação para o iPhone. Trata-se do iStethoscope, um programa de software que custa menos de 1 dólar e que converte o telefone em um estetoscópio digital que permite controlar as batidas do coração e outros ruídos do corpo humano, além de gravar suas ondas sonoras. Segundo seu criador, Peter Bentley, pesquisador da Universidade de Londres, mais de 3 milhões de médicos já baixaram o aplicativo. De acordo com ele, o software não é só um avanço tecnológico de um aparato que pouco mudou desde que foi inventado em 1816. Ele também permitirá salvar vidas em locais remotos, já que os médicos poderão enviar por e-mail o registro dos batimentos cardíacos do paciente para receber assessoria de especialistas em qualquer parte do mundo.
"Seu uso é muito simples. É preciso escolher a modalidade para ouvir, que pode amplificar ou silenciar o som, e depois é necessário colocar o microfone do telefone diretamente sobre a pele e sobre o coração", explicou. "Se o aparelho for colocado na posição correta, é possível obter um som claro e nítido do coração."
O programa permite gravar esses sons, que mais tarde podem ser arquivados e enviados por correio eletrônico a outros usuários. O médico pode simplesmente olhar esses registros, chamado espectrograma, que mostra o volume e frequência dos batimentos, para realizar um diagnóstico.
"Muitos cardiologistas e profissionais de medicina mostraram grande interesse na aplicação em todo o mundo e me disseram que isso permitiu, pela primeira vez, tomar mostras do estado do coração de um paciente no mundo em desenvolvimento e enviar em um e-mail essas mostras a especialistas em outras partes do planeta", comentou Bentley. "Assim, puderam obter ajuda especializada para chegar a seus diagnósticos, o que imagino seja um avanço importante."
A ideia do iStethoscope surgiu quando o pesquisador estava escrevendo um livro sobre informática e o software seria um experimento. "Para minha surpresa, comecei a receber telefonemas de cardiologistas interessados, um inclusive viajou dos Estados Unidos para me ajudar a melhorar o aplicativo e também colaborou comigo um especialista em estetoscópios digitais", afirmou Bentley. "Realmente fiquei atônito pelo grande interesse que despertou."
O programa conta com várias modalidades para melhorar os resultados, incluindo frequência de mostra, propagação de áudio, filtros e acelerômetro para atualizar a frequência. Mas tem um problema: não se pode usar o iPhone em pacientes com marcapasso. O iStethoscope custa 90 centavos de dólar na loja iTunes.

Aroma do chocolate pode melhorar o humor

Depois de abrir a embalagem de seu chocolate, contenha-se e, antes de devorá-lo, dê uma boa cheirada no produto. Não se preocupe se o que você está cheirando é um pedaço de uma barra comum ou o mais fino chocolate belga – simplesmente sinta o aroma. Pesquisas divulgadas recentemente indicam que o cheiro do chocolate melhora o humor. Essa boa notícia vem do Human Olfaction Laboratory, da Middlesex University, na Inglaterra, onde o professor de psicologia Neil Martin investiga os efeitos que o cheiro dos ambientes tem no comportamento humano. No laboratório, Martin tem uma caixa chamada AromaCube, que aquece odores que estão em pequenas garrafas de vidro e os espalha pela sala. A partir daquela caixa, ele descobriu o poder do chocolate em um experimento no qual preencheu ambientes com três aromas – um com odor de chocolate, outro com cheiro de óleo de máquina (que a maioria das pessoas achou desconfortável) e um com aroma de limão (prazeroso, porém forte) – e monitorou os humores dos participantes. 
– O objetivo era comparar os efeitos dos odores no estresse, na depressão e no humor. E, mesmo que o experimento ainda continue, já parece que o cheiro de chocolate realmente deixa as pessoas menos estressadas e ansiosas – explica Martin. 
Os chocólatras também vão gostar de saber das demais pesquisas de Martin. Em outro estudo, foi observado o efeito do chocolate na atividade cerebral. Foram apresentados às pessoas aromas de comidas artificiais e outros de alimentos de verdade, com duas amostras incluindo chocolate. Martin usou a tecnologia da eletroencefalografia para registrar as ondas cerebrais dos participantes enquanto eles aspiravam o ar. Ele descobriu que, nos dois experimentos, o cheiro de chocolate leva à redução de um tipo de atividade cerebral chamado theta, um indicador de atenção. Outra pesquisa mostra que o consumo regular de um pedaço pequeno de chocolate por dia ajuda a reduzir a pressão arterial, diminuindo a chance de ocorrer doenças cardiovasculares. Cientistas descobriram que pessoas que comem 7,5 gramas de chocolate diariamente têm risco até 39% menor de sofrer um ataque cardíaco ou infarto, em comparação com aqueles que comem 1,7 grama. O estudo foi publicado no European Heart Journal. Pesquisas comandadas por Brian Buijsse, epidemiologista nutricional do German Institute of Human Nutrition, também fizeram a ligação entre o chocolate e o humor após analisar a saúde de 19.357 alemães entre 35 e 65 anos por pelo menos 10 anos. Os estudos realizados dizem que os flavonoides, substâncias do cacau, contribuem para a redução da pressão arterial. Entretanto, são necessárias mais pesquisas antes de que pequenas quantidades do doce possam ser prescritas para prevenir doenças.
– A quantidade média ingerida até mesmo pelos maiores consumidores era por volta de um pedaço. Então, os benefícios estavam associados a uma quantidade relativamente pequena de chocolate – explica a enfermeira Victoria Taylor. 
Aqueles que se sentem tentados à gula devem lembrar que o chocolate contém grande quantidade de caloria e gorduras saturadas, que causam aumento de peso e colesterol alto – dois fatores de risco para doenças do coração.
Fonte: PIONEIRO - VIDA SAUDÁVEL

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Descubra se o cigarro tem efeito tranquilizador

Os benefícios de parar de fumar - redução no risco de câncer e muitos outros problemas de saúde - são bem conhecidos. Porém, para milhões de fumantes o efeito tranquilizador de um cigarro pode ser motivo suficiente para voltar ao hábito. No entanto, estudos descobriram que, na realidade, fumar surte o efeito oposto, fazendo com que os níveis de estresse aumentem no longo prazo. Para os dependentes, o único estresse que ele alivia é o da abstinência entre cigarros.
Num recente estudo, conduzido na London School of Medicine and Dentistry, pesquisadores acompanharam 469 pessoas que tentaram parar de fumar após serem hospitalizadas por problemas cardíacos. No início, os participantes tinham níveis parecidos de estresse e, no geral, acreditavam que fumar os ajudava a lidar com isso.
Um ano depois, 41% tinham conseguido manter a abstinência. Após controlar diversos fatores, os cientistas descobriram que os abstêmios apresentavam "uma queda significativamente maior no estresse percebido", de quase 20%, em comparação aos fumantes, que apresentaram pequenas mudanças.
A hipótese dos cientistas era de que os fumantes lidavam com os desconfortáveis desejos entre um cigarro e outro várias vezes ao dia, enquanto os abstêmios, depois de sofrerem com a abstinência inicial, gozavam de maior liberdade em relação aos desejos por nicotina - e haviam, consequentemente, eliminado uma frequente e importante fonte de estresse. Outros estudos também descobriram que os fumantes enfrentam níveis elevados de estresse e tensão entre cigarros, e níveis mais baixos após deixarem de fumar. Assim, o efeito tranquilizador do cigarro é um mito, ao menos no longo prazo.
Fonte: The New York Times

Cigarro ainda é primeira causa de morte evitável no planeta

O cigarro já perdeu o status de glamour que exalava há algumas décadas, mas segue como um problema real para a saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo ainda ocupa o topo da lista de causas de mortes evitáveis no planeta. Neste domingo, dia 29 de agosto, quando é comemorado mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo, a data serve de alerta para uma situação ainda bastante preocupante no país. A OMS estima que um terço da população mundial adulta seja fumante, o que significa cerca de 1,2 bilhão de pessoas. As mortes devido ao uso de tabaco correspondem a 4,9 milhões ao ano, ou seja, 10 mil mortes ao dia. Professora de Enfermagem em Saúde Pública do Complexo Educacional FMU, Valéria Leonello relata que pesquisas recentes indicam que o percentual de fumantes vem caindo no Brasil. No entanto, a situação não deixou de ser alarmante.
— Embora alguns países tenham um índice maior de tabagismo quando comparados ao Brasil, termos cerca de 15% da população brasileira usuária de produtos derivados do tabaco é, no mínimo, preocupante — afirma.
Segundo a professora do curso de Enfermagem da FMU e mestre em Saúde Pública, um estudo do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostra que 17,5% da população brasileira com mais de 15 anos usa produtos derivados do cigarro.
— Isso representa um contingente de 25 milhões de pessoas — frisa.
Para Valéria, a Lei Antifumo do Estado de São Paulo, em vigor há um ano, já apresenta resultados positivos. Ela comenta que foi constatada uma redução de até 73,5% nos níveis de monóxido de carbono em bares, restaurantes e casas noturnas, de acordo com um estudo do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas em cerca de 700 estabelecimentos.
— Os freqüentadores e funcionários desses estabelecimentos foram alguns dos grandes beneficiados pela lei. Os estudos estão começando a ser desenvolvidos, afinal, temos só um ano de aplicação da lei, mas vários meios de comunicação vêm fazendo enquetes com a população, que já considera a lei um suporte ou apoio para quem deixou ou quer deixar o hábito de fumar — avalia a professora da FMU. Aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Fumo, Valéria aponta que deixar o vício do cigarro é uma decisão que, na maior parte dos casos, deve ser acompanhada com a procura por ajuda profissional e apoio de pessoas próximas.
— Parar de fumar sem ajuda pode até ser possível, mas com ajuda e apoio é bem mais efetivo. Em geral, as pessoas que fumam têm muita dificuldade em deixar o vício — diz. Segundo a professora, apenas a informação não muda o comportamento das pessoas.
— A decisão de parar de fumar tem que vir associada a uma série de outros elementos, como apoio psicossocial, acompanhamento médico, trabalhos grupais, etc. Esses recursos somados à informação fortalecem a capacidade do indivíduo em mudar esse hábito — finaliza.